O Treinamento Auditivo (TA) é uma ferramenta poderosa para quem apresenta alterações no processamento das informações sonoras. E isso acontece porque o TA está totalmente ligado à plasticidade neural — a incrível capacidade que o nosso cérebro tem de mudar quando é estimulado… ou quando deixa de ser.
Em outras palavras: quando treinamos habilidades auditivas, estamos ajudando o cérebro a reorganizar suas conexões para melhorar, de fato, o desempenho auditivo do paciente.
Para que isso funcione, as atividades precisam ser adequadas à idade, ao nível de linguagem e às habilidades cognitivas de cada pessoa. E tem um ponto-chave aqui: variedade. Em uma mesma sessão, é importante explorar diferentes habilidades e usar estratégias diversas para manter o cérebro sempre em movimento, sempre desafiado.
Diversos estudos — inclusive pesquisas que mostram mudanças neurais até em idosos — confirmam que áreas responsáveis pela decodificação dos sons podem ser modificadas com prática intensa de escuta ativa. Isso incentivou o desenvolvimento de programas de TA voltados para habilidades como discriminação auditiva, fechamento auditivo, figura-fundo, processamento temporal, separação binaural e integração binaural.
Mas o TA vai além do som em si. Ele envolve atenção, tomada de decisão, resolução de problemas e execução de tarefas. Todos esses processos ativam mecanismos neurais que ajudam a explicar os resultados tão positivos observados após o treinamento.
Outro ponto essencial é entender a relação entre audição e cognição.
Estudos mais recentes mostram que os melhores resultados acontecem quando usamos uma abordagem auditivo-cognitiva — ou seja, quando trabalhamos não só a parte auditiva, mas também os processos mentais que permitem ao cérebro interpretar a fala, dar sentido ao que chega e organizar a informação.
No fim das contas, se queremos que os ganhos do TA apareçam na comunicação real, no dia a dia, é fundamental integrar o treino auditivo ao treino cognitivo. É dessa combinação que surgem as mudanças mais significativas — aquelas que transformam a escuta dentro e fora da sala de terapia.