Quando falamos em treinamento auditivo para pacientes com perda auditiva, é fundamental entender que o processo terapêutico não começa apenas com as atividades em si.
Ele começa antes — com a garantia de que o paciente realmente escuta o que precisa escutar.
Nesse contexto, o aparelho auditivo não é um recurso complementar.
Ele é parte integrante e indispensável do processo de reabilitação auditiva.
Não existe treinamento auditivo eficaz sem audibilidade adequada
O treinamento auditivo tem como objetivo estimular o sistema nervoso auditivo central, favorecendo a plasticidade neural, a melhora da compreensão da fala e da comunicação funcional.
No entanto, o cérebro só consegue treinar aquilo que ele recebe.
Se o sinal sonoro chega de forma distorcida, insuficiente ou inconsistente, o treino perde sua efetividade.
Por isso, antes de iniciar qualquer programa de treinamento auditivo, é indispensável garantir que o paciente tenha acesso adequado aos sons da fala — especialmente nos níveis suaves e médios.
A importância das medidas em orelha real (in situ)
A única forma confiável de confirmar essa audibilidade é por meio das medidas em orelha real (REM / in situ).
Essas medidas permitem verificar, de forma objetiva:
• Se o aparelho auditivo está fornecendo ganho adequado
• Se os sons da fala estão audíveis em diferentes intensidades
• Se o ajuste está de acordo com os alvos prescritos
Sem essa verificação, trabalhamos no campo da suposição — e não da evidência.
Garantir a audibilidade por meio das medidas in situ é um passo técnico, mas também ético, pois assegura que o paciente esteja em condições reais de se beneficiar do treinamento auditivo.
Uso contínuo do aparelho e plasticidade neural
Outro ponto central — e muitas vezes subestimado — é o tempo de uso diário do aparelho auditivo.
Para que ocorra plasticidade neural, o cérebro precisa de estimulação consistente e prolongada. Estudos mostram que o uso contínuo do aparelho auditivo por pelo menos 10 horas diárias é fundamental para que:
• O sistema auditivo se reorganize
• Haja melhora na detecção e discriminação sonora
• O treinamento auditivo gere efeitos duradouros
Usos esporádicos ou por poucas horas ao dia não oferecem estimulação suficiente para sustentar mudanças neurais significativas.
Em outras palavras:
não é apenas ter o aparelho auditivo, mas usá-lo de forma consistente.
Treinar o cérebro exige acesso ao som
O treinamento auditivo atua no cérebro, mas depende diretamente da qualidade do sinal acústico que chega até ele.
Quando garantimos:
• audibilidade adequada (via medidas in situ)
• ajuste correto do aparelho auditivo
• uso diário consistente (≥ 10 horas)
criamos o cenário ideal para que o treinamento auditivo seja realmente eficaz.
Antes de perguntar “qual atividade de treinamento auditivo devo aplicar?”, a pergunta precisa ser outra:
Esse paciente está, de fato, ouvindo o suficiente para treinar?
Aparelho auditivo bem ajustado, verificado objetivamente e usado de forma contínua não é um detalhe do processo — é a base sobre a qual todo o treinamento auditivo se constrói.
Sem audibilidade, não há treino.
Sem consistência, não há plasticidade.
Com ambos, há potencial real de mudança.
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